Entre os dias 11 e 13 de março, no município de Passo Fundo (RS), foi realizada a primeira etapa de formação dos agentes do Projeto Terra Solidária, iniciativa que busca impulsionar a transição sustentável do modelo produtivo na agricultura familiar da Região Sul do Brasil. O encontro reuniu cerca de 35 agricultores familiares, técnicos e dirigentes, que aprofundaram seus conhecimentos com destaque para o uso do método Sistema de Plantio Direto de Hortaliças e Outras Culturas (SPDH+).
A formação de três dias iniciou com um debate sobre o papel do sindicalismo na construção da transição do modelo produtivo buscando sensibilizar os participantes da importância da construção coletiva do projeto. Durante o debate, também foi destacado o antagonismo entre o modelo predominante, marcado pela dependência de insumos externos, pelo aumento dos custos de produção e pelos impactos ambientais, e a construção de alternativas baseadas na autonomia das famílias e no cuidado com a natureza.
Durante a formação, os participantes aprofundaram o estudo sobre o Método SPDH+, ferramenta central para a execução do projeto. O Doutor em Agroecologia e responsável pelas formações no Projeto Terra Solidária, Valdemar Arl, trouxe os antecedentes, origem e concepções do método SPDH+ passando pelas ferramentas e passo da implementação nas unidades de produção e lavouras de estudo.
Valdemar coloca que o método SPDH+ trabalha a lavoura a partir de alguns pilares técnicos, olhando principalmente para o solo, a biodiversidade e o manejo das plantas como elementos centrais do sistema produtivo. “A partir disso, buscamos organizar as áreas de produção de forma que elas ganhem mais equilíbrio biológico, reduzindo a dependência de insumos externos e qualificando o processo produtivo das famílias.”
Além da apresentação das ferramentas e das etapas de implementação do método, a formação teve como objetivo organizar o início das atividades previstas no edital e alinhar os próximos passos do projeto. Os participantes trabalharam na construção do cronograma de execução, iniciando com a seleção das famílias, levantamento das culturas e na organização dos processos operacionais e burocráticos necessários para o desenvolvimento das ações nos estados do Sul.
“Agora entramos em uma fase muito prática do projeto. Com o início do ano agrícola, os próximos passos envolvem análises de solo, o plantio de espécies voltadas à biodiversidade e à produção de biomassa e a organização das lavouras de estudo. É nesse processo que vamos colocar em prática o que foi planejado e acompanhar junto às famílias os resultados desse trabalho.” completa Valdemar.

O Projeto Terra Solidária é uma iniciativa construída em rede pelo ICAF-BR, ICAF-SC, CEASOL e pelas três federações da agricultura familiar da região Sul, FETRAF-RS, FETRAF-SC e FETRAF-PR, por meio do edital Terra à Mesa 2, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA)
O projeto prevê a formação de agentes de transição e o acompanhamento técnico direto a cerca de 200 famílias agricultoras, apoiando a implementação prática de estratégias voltadas à transição sustentável. Entre as ações desenvolvidas, destacam-se o planejamento produtivo, a aplicação do método SPDH+ e o uso de bioinsumos. Também serão realizadas oficinas de intercâmbio, promovendo espaços de diálogo, experimentação e construção coletiva do conhecimento a partir de Lavouras de Estudo e da implantação de Unidades de Produção de Bioinsumos. A iniciativa busca consolidar referências concretas que evidenciem a viabilidade de modelos produtivos alternativos para a agricultura familiar na região Sul e em todo o país.
No final deste mês será realizada a segunda etapa da formação do projeto. Esta etapa terá como objetivo aprofundar os processos, alinhar estratégias e fortalecer o engajamento de todos os envolvidos, tendo como foco central a formação e qualificação dos agentes de transição.